2ª lição
Um pouco de história não faz mal a ninguém...
Nada se sabe sobre o tarô antes da Renascença, tampouco poderíamos afirmar que tenha surgido naquele período. Ínumeras teorias apareceram no século XIX ditando ser um arte egícpia ou hebraica; no entanto, nada se confirmou com o avanço das pesquisas. Ainda especulamos, argumentamos, mas ninguém pode afirmar sobre a possível origem - apenas comentar sobre a história documentada dos últimos setecentos anos!
Os primeiros registros datam entre o ano de 1369 e 1397 (norte da itália, sul da França, sudeste da Espanha): artesões vendendo baralhos, crônicas avaliando o que seriam aquelas "cartas" e alguns decretos probindo a nova arte. Historicamente, tudo leva a crer que o tarô era utilizado de forma lúdica (como ainda ocorre na Europa). As primeiras cartas eram elaboradas por pintores, uma a uma, como pequenos quadros. O tarô mais antigo, pintado à mão, que se tem notícias (e ainda preservado) é o de Visconti-Sforza↓ (Milão,1445).
Com o advento da imprensa, as cartas passaram a ser reproduzidos em larga escala, mas perderam em beleza visual. O baixo custo popularizou o tarô, tornando os jogos lúdicos uma febre social; inclusive, chegou a ter pesada tributação para coibir o vício da jogatina. Os mais antigos (completos) que se tem preservado são o de Catelin Geofroy (Paris, 1557) e o de Jacques Vieville↓ (Paris, 1625).
Em seu limiar histórico, as cartas não possuiam nem número nem nome. No início do século XV, surgiram a numeração, e, cem anos após, a denominação (tudo de forma lenta e gradativa). Até meados do século XX, não era comum o arcano O Louco possuir numeração e, o arcano 13, um nome. De qualquer forma, não existe muito padrão nas nominações. As imagens e o quantitativo sempre foram similares.
No âmbito do universo esotérico, o tarô teve enorme dificuldade em ser aceito pelos renomados ocultistas, as cartas somente tomaram lugar de destaque (no âmbito oracular) a partir de "Le Mond Primitif...", obra de Antoine Court de Gebelin, publicada em 1775 (pouco se sabe de obras completas que o anteceda), depois a obra de Etteilla (1783) e a de Papus (1889). Podemos afirmar que a proliferação literaria (novas aplicações) sobre o tarô ocorreu somente na segunda metade do século XX, passando de uma dezena para milhares de livros, em poucos anos!