
Quem precisa de
conselhos?
Interessante como as
pessoas não aceitam aconselhamentos por acharem que ninguém as
compreendem, que todos desconhecem a verdadeira razão de seu sofrimento e,
dessa forma, por mais que as oriente nunca será o suficiente para
resolverem suas angústias. Por sua vez, elas estão sempre ansiosas
(adiantadas, vivendo o futuro) ou nostálgicas (atrasadas, vivendo o
passado); assim, também, nunca conseguem acertar o relógio da vida no
presente momento (aqui e agora). Todas perguntam o que fazer, mas nenhuma
segue a orientação!
O mais peculiar de tudo
é que as histórias se assemelham ou se repetem, pois geralmente meus
clientes relatam que amigos ou parentes avisaram que estariam atrasando a
sua vida com determinada decisão, mas não deram ouvidos e terminaram por
perder ou fracassar. Alguns, também, chegam dizendo que nunca tiveram
grandes problemas até aquele momento, pois sempre estiveram à frente de
seu tempo, acreditando que a felicidade se encontrava nas mãos da pessoa
amada ou na aquisição sistemática do status.
Em resumo, todos
esperavam obter reconhecimento, fidelidade, harmonia, paz; contudo, muitos
terminaram em experiências que não conheciam: sozinhos, endividados,
fracassados, depressivos; outros, seguiram com raiva, ódio, rancor,
culpando o destino pela fatalidade ou a situação pela própria desgraça.
Em qualquer um desses casos o
resultado sempre foi o mesmo: inércia, frustração, ressentimento,
desesperança, tristeza — o oposto do que sonharam.
Eu creio que por acharem que poderiam
contornar todos os revezes, como sempre o fizeram, não deram muita
importância aos conflitos e obstáculos continuando sob o mesmo ponto de
vista. Podemos apagar o nosso futuro? Sim, porém, jamais, o nosso passado.
Então, a saída é ter coragem para mudar, reconstruir o presente e
abastecer o coração com novas esperanças. Às vezes, sem passar por
situações de opressão, perdas irreparáveis ou grandes dificuldades pode
ser difícil entender a extensão da vida, das pessoas ou de si mesmo.
Claro que “não ter que passar pelo caminho
da dor” como esboçado no livro "Onde está minha felicidade? (Editora Nova
Era) seja mais agradável; porém, como tudo possui um preço, corre-se o
risco de não amadurecer, fortalecer a alma ou conhecer os próprios
limites. Não, não estou pregando a dor como uma via da evolução; contudo,
quem não passa por dissabores em algum momento? Todos, óbvio. Saber
extrair a beleza dessa terrível experiência é uma sabedoria que deve ser
explorada por cada um de nós. Aprender com as dissoluções ou tentar
evitá-las é a evolução mais importante para o ser humano.
Contudo, se você é da opinião de que "se
conselhos fossem bons seriam vendidos", não se esqueça de que todos os
terapeutas cobram por suas consultas! E, todos, invariavelmente, estão
sempre certos em sua orientação. Também, um amigo de confiança sempre
fornece bons conselhos. Enfim, aprenda a ouvir mais, a mediar o que você
deseja com o que os outros pensam. Quem sabe da próxima vez termine
escolhendo melhor os seus caminhos.